Eu tenho ótimas memórias das cozinhas das minhas
avós. Era aquela mundo mágico de coisas boas, de cheiros gostosos,
de combinações, de correria, de sons, do calor do fogão, de ir na horta,
passar no mercado, de queimaduras e acidentes, gritaria, de muitas historias,
de muita fofoca, de muito drama. Desde bem pequena, isso me marcou,
minha 1a memória é com menos de 2 anos estar fazendo pan amassado com
a Vivi na casa antiga do Jardim Anchieta... Cozinha sempre
significou família para mim.
Minhas duas avós eram bem diferentes culinariamente falando;
enquanto a cozinha da Vó Maria era grande e simples, no campo, comida italiana
e gaucha, nada podia ser desperdiçado, batalhão cozinhando, livros de
receitas em 2o plano, casa sempre cheia, porta de casa nunca trancada... Minha
Vivi tinha a cozinha bem pequena e prática, na cidade, comida chilena e todo o
requinte da haute cousine, nada de ficar sofrendo com a raspa da vasilha,
unicamente ela no fogão, livros de receita eram sagrados, casa tranquila,
porta de casa bem trancada mas sempre aberta a família e
amigos.
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