Dia 25 de junho de 2005.
Amanha,
faz um mês que a minha Nena não está mais aqui. As pessoas acreditam que o mais
difícil é a notícia trágica do acidente, ou a negação do ocorrido, ou
deparar-se com ela sem vida, o velório mórbido, as decisões apressadas, a
família devastada, o funeral eterno, a angustiante despedida. Quem nunca passou
por isso, acredita.
O
mais difícil é o tempo passar por mim e a saudade me arranhar, e a ilusão que se quer -desesperadamente- acreditar que ela vai voltar, não acontecer. A dor
maior é me dar conta que nunca mais darei um cheirinho na minha mãe, nem dar um
carinho quando de noite ela vinha me pedir e deitar na minha cama um pouquinho.
Isso que me dilacera.
Quando
precisar de um conselho de madrugada não ter a quem pedir, e que ela não estará
presente na minha formatura, ou contará historias aos meus filhos. Nem será
Ministra do Meio Ambiente, salvar a Amazônia dos gringos, terminar o Inventário
Florestal, apresentar o novo namorado ou usar a passagem para o Chile que já
possuía data.
>